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24 fevereiro 2012

A solidariedade que fez da Europa o farol do mundo

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Como salientava recentemente um criterioso estudo do grupo de reflexão "Notre Europe", com sede em Paris, a solidariedade tem duas variantes. Existe o acordo de transação simples – a apólice de seguro comum contra a possibilidade desta ou daquela catástrofe – e existe o interesse próprio esclarecido que leva os governos a reconhecer objetivos nacionais numa estratégia de integração partilhada e sustentada.
A União Europeia foi construída com base no último. Há mais ou menos 60 anos, era relativamente fácil. Os horrores de duas guerras mundiais, a ameaça comum representada pela União Soviética e o estímulo representado pelos EUA conferiam uma lógica irresistível àquilo que os fundadores chamavam o processo de construção europeia.

Um lóbi SOS contra os lóbis financeiros terroristas

Um lóbi que funciona ao contrário, faz pressão contra os lóbis financeiros que manipulam os parlamentos nacionais e europeus! A Associação de lóbis já veio queixar-se que andam a vigiar os lóbis "legais" que trabalham junto das instituições europeias. Recusam aceitar que fazem pressão sobre os parlamentares, o seu trabalho dizem, é vender a "marca" dos clientes ( que são países com interesses no que se legisla).
Mas a situação pode mudar com o Finance Watch :Os lóbis financeiros parecem todo-poderosos em Bruxelas, frustrando todas as tentativas de reformas do setor bancário desde a falência do Lehman Brothers em 2008. Mas a situação pode mudar, com o trabalho de um contra lóbi europeu: o Finance Watch.
Será que esta crise vai tornar as coisas mais sólidas, mais éticas e mais transparentes?

Cristalino

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"na nossa união, os bancos desconfiam uns dos outros” e os “países do défice não têm qualquer incentivo para abaterem as suas dívidas dado que os bancos centrais financiam imparavelmente o défice do sector privado”, gerando-se assim uma dívida infinita que acabará por explodir algum dia. “É preciso notar que não estou a falar da dívida soberana, mas das dívidas do sector privado. Porque são estas que constituem o grosso dos desequilíbrios em conta corrente na zona euro”.
Wolfgang Münchau 
É tempo da esquerda na Europa começar a chamar os bois pelos nomes.

23 fevereiro 2012

Sacrifícios sem nenhum proveito

"Mesmo os países bons alunos em matéria de austeridade, como Portugal e Irlanda, que fizeram tudo os que lhes foi exigido, continuam a enfrentar custos de financiamento exorbitantes. E porquê? Porque os cortes na despesa deprimiram profundamente as suas economias, enfraquecendo as bases de tributação a um tal ponto que o rácio da dívida em relação ao produto [PIB], o indicador standard para medir o progresso orçamental, está a piorar em vez de melhorar."
Paul Krugman, Pain Widhout Gain

20 fevereiro 2012

Presidenciais Francesas: Hollande 56% - Sarkozy 44%

Aí está uma sondagem de hoje que coloca o socialista Hollande à frente do actual presidente Francês. É uma margem confortável e não parece que em França ou na Europa algo de muito importante vá acontecer para inverter esta tendência. Como venho dizendo, a importância destas eleições mede-se também por acabar com o eixo MerKozy e influenciar a política de austeridade "custe o que custar".
Com Hollande, cujas medidas que apresenta aos eleitores vão no sentido de atenuar a austeridade e reactivar a economia, tudo será diferente um ano antes do que se pode esperar do actual eixo franco-alemão.

Mas que raio fizeram os gregos por nós?

CHANCELER MERKEL (irritada): Os malditos gregos tiram-nos o dinheiro todo, os bastardos. Trabalham pouco e levam-nos o dinheiro que tanto nos custou a ganhar, a nós, aos nossos pais e aos pais dos nossos pais… 
WOLFGANG SCHÄUBLE: E aos pais dos pais dos nossos pais. 
CHANCELER MERKEL: Sim.
WOLFGANG SCHÄUBLE: E aos pais dos pais dos pais dos nossos pais.
CHANCELER MERKEL: Sim, Wolfgang, não aprofundemos mais a questão. Mas o que é que eles nos deram até hoje?
PHILIP RÖSLER: o Teatro?
CHANCELER MERKEL: O quê? 
PHILIP RÖSLER: o Teatro… Ésquilo, Sófocles, Aristófanes…
CHANCELER MERKEL: Oh! Sim, pois. Eles deram-nos isso, é verdade.
HANS – PETER FRIEDRICH: E a Filosofia, com Sócrates, Platão e os outros todos…
URSULA VON DER LEYEN: Sim, a Filosofia, lembras-te como pensávamos antes da Filosofia? CHANCELER MERKEL (condescendente): Sim, pronto, o Teatro e a Filosofia foram duas coisas que os gregos nos deram.
ILSE AIGNER: E a Oratória.
CHANCELER MERKEL: Bem, sim, obviamente a oratória, quer dizer, nem era preciso dizer, certo? Mas, para além do Teatro, a Filosofia e a Oratória…
ANNETE SCHAVAN: A Ciência, com Arquimedes, Aristóteles…
DANIEL BAHR: A Medicina, lembras-te de Hipócrates? 
MINISTROS EM CORO: Pois, pois, isso…
ANNETE SCHAVAN: Heródoto e a História
MINISTROS EM CORO: Oh, sim…
CHANCELER MERKEL (a ficar impaciente): Sim, pronto, ok, é justo.
THOMAS DE MAIZINE: E estratégia militar.
KRISTINE SCHRÖDER: Introduziram as vogais no alfabeto.
MINISTROS EM CORO: Oh, sim, isso foi importante.
DIRK NIEBEL: Sim, isso seria algo de que sentiríamos realmente falta!
NORBERT RÖTGEN: Os Jogos Olímpicos.
PETER RAMSAUER: Pitágoras.
RONALD POFALLA: Arte. 
SABINE LEUTHEUSSER-SCHNARRENBERGER: Organização social.
THOMAS DE MAIZENE: Ajudaram-nos depois daquela chatice da segunda guerra.
CHANCELER MERKEL (fora de si): Sim, pronto, ok, mas para além do Teatro, a Filosofia, a Oratória, a Ciência, a Medicina, a História, a estratégia militar, as vogais, os Jogos Olímpicos, a Matemática, a Arte, a organização social e aquilo da guerra, O QUE É QUE OS GREGOS NOS DERAM?
ILSE AIGNER: A Democracia.
CHANCELER MERKEL: A Democracia? Cala-te lá com essa merda!

E a Islândia?

Ter-se-á afundado? Que espécie de filtro é este que impede a chegada e divulgação de notícias da Atlântida?, perdão, da Islândia? Quem o fomenta? Quem o sustenta? Anyone? Anyone? Reykjavík, This Is Houston, We Have A Problem!

16 fevereiro 2012

O que se passou de errado em Portugal?

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Em Portugal, actualmente, o défice ronda os 118%, e a deflação da dívida pode explicar-se pelo problema do défice. O défice comercial resulta sempre da relação entre o PIB (Produto Interno Bruto) e o valor da dívida - o dinheiro que o país deve. Quando o PIB desce, e mesmo que os números da dívida se mantenham, o défice irá sempre aumentar. Por sua vez, o valor relativo da dívida vai sempre aumentar, mesmo que os seus números reais se mantenham.
A isto juntam-se os juros que são exigidos no momento de pagar os empréstimos feitos pela ‘troika’ para os países combaterem a sua dívida. O cenário, portanto, não poderá ser muito animador.
Daí que Harrison titule o seu comentário de «O porquê de Portugal ser a próxima Grécia». Charles Wyplosz, professor na Universidade de Genebra, é mais drástico na sua explicação do problema. «Os empréstimos [da troika] aumentam a dívida, e a austeridade impede os países de saírem da depressão em que estão atolados», retratou.
[VER ARTIGO COMPLETO]

Presidenciais francesas - também o Hollande é !

Grande surpresa! Mas o candidato socialista é que é uma surpresa, vai na frente nas sondagens e se ganhar vai mudar muito, não só no seu país mas, principalmente, no eixo que manda na união Europeia. Merkozy acaba e com eles esta política de "austeridade" que está a mandar os países e os povos para a miséria e, na sua vez, vem mais "solidariedade". É, que, com solidariedade nem os povos precisam de passar por tanta privação nem os credores deixarão de serem ressarcidos, deixamos é de andar aqui "ao tio ao tio" como se fosse natural "ajudar" países em má situação com taxas de juros de 30%.
Desmembrado o eixo Berlim-Paris as coisas vão começar a andar, os outros países mais comedidos que a Alemanha, vão passar a estar mais vezes do mesmo lado. E as políticas mudam!

Tranquilamente, à espera da nossa vez

Vamos acabar por assistir ao absurdo de a Grécia - e quem se lhe seguir - se suicidar para alcançar um objectivo que os parceiros europeus lhe recusam.

14 fevereiro 2012

Será possível a reanimação?

A União Europeia está morta desde que se substituiu a palavra "solidariedade" entre todos os Estados membros pela palavra "austeridade". Esta, imposta primeiro à Grécia e depois à Irlanda e a Portugal, deu os "brilhantes" resultados amplamente conhecidos: a Grécia  está já a ferro e fogo e Portugal, se não caminha para lá, está cada vez mais pobre, com a actividade económica a cair de mês para mês.

(O gráfico que demonstra a última asserção foi roubado ao "Expresso")

A União está, no entanto, ainda por enterrar, o que, em tese, possibilitaria a sua reanimação, se houvesse vontade política nesse sentido.
[VER ARTIGO COMPLETO]

Tragédia grega

"Mas o canal privado Mega também voltou a recordar a megamanifestação de domingo, e imagens de dois respeitados anciãos atenienses que compareceram no protesto: o conhecido compositor Mikis Theodorakis e o político Manolo Glezos, que em 1941, logo após a ocupação alemã da Grécia no início da II Guerra Mundial, iludiu os guardas e retirou durante a noite uma grande bandeira nazi que esvoaçava no Pártenon, elevando o espírito de resistência da população".
Por cá, o Governo devia estar agradecido pela manifestação de sábado. E em vez de tentar levantar a mesquinha questão dos números, devia fazer figas para que muitas outras se repitam, assim, grandiosas e ordeiras.

13 fevereiro 2012

Sendo patente a sua inexequibilidade, a quem serve o novo plano de austeridade grego?

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E quando Papademos diz que “a violência e as destruições não têm lugar em democracia” está a referir-se à democracia de que país? À grega, que também já não existe, não é com certeza. Imagino que a frase vinha no memorando que a Goldman Sachs lhe enviou logo pela fresquinha e um homem tem de fazer pela vida, sendo certo que isso passa por não aborrecer o (ex-)patrão.
A profunda estupidez destes pequenos seres não cessa de me surpreender. Será que eles acreditam mesmo que podem continuar a pisar o povo e impedir o curso natural da história? Vamos ver quanto mais dura esta palhaçada, embora eu ache que podíamos passar já adiante. Para a inevitável parte do inevitável golpe de Estado (na Grécia já cheira a overcooked).
De resto, e a este propósito, os "líderes" europeus têm-me feito lembrar aquele saudoso ministro iraquiano. Claro que não, meus caros, no pasa nada, continuem assim, que o povo é sereno. Até na hora de vos ir ao focinho. Toodles.
[citação de Papademos e imagem via Público]

Holocausto financeiro enquanto a Alemanha ataca a Grécia

Atenas: um sério aviso

Nas reportagens das televisões internacionais feitas na rua, uma frase a predominar: "NÃO QUEREMOS OS EMPRÉSTIMOS DELES!"
Os povos não são estúpidos. Da compreensão das coisas até perderem o medo, vai um passo: Quem já nada tem, nada tem a perder.

Violência na Grécia


A cobertura dos acontecimentos na Grécia é muito débil quando comparada com a da "Primavera Árabe "!

Em busca da esquerda perdida

"Temos um "gozo apolítico de um certo bem-estar" [Tronti 2009,59].
Daí derivou, em política in primis, a menorização do trabalho e do valor do trabalho.
Mas se a esquerda renuncia à centralidade do trabalho, que sentido tem a esquerda?
 "Se é verdade que já não existe a centralidade política da classe operária, no seu lugar existe uma centralidade política do trabalho. Esta foi integrada, marginalizada e depois negada pelos últimos trinta anos do ciclo capitalista, sob a bandeira da globalização neoliberal. A crise actual deste ciclo volta a propor o tema. Mas atenção, o reaparecimento do trabalho na cena política não ocorrerá espontaneamente. Pelo contrário, podem ser introduzidos agravamentos nas suas condições sociais: o impacto da crise, com as suas inevitáveis reestruturações produtivas, atinge os trabalhadores, sobretudo nas faixas mais débeis e menos protegidas, e a saída da crise, com os seus igualmente inevitáveis surtos inflacionistas, punirá uma segunda vez os trabalhadores, também nos sectores mais fortes e mais seguros. (. . .)"

05 fevereiro 2012

Ameaçar a Grécia ou reconhecer o fracasso?

A economia europeia e, em particular, a da zona euro, atravessa uma crise sistémica cujo paralelismo nos obriga à evocação de quase um século (a famigerada crise dos anos 30) e, apesar de todas as cimeiras e austeridades extremas, mantém-se sem fim à vista. Relativizar o aumento generalizado do desemprego e ignorar o agravamento das economias nacionais dos países que sempre foram reconhecidos como os que maior fragilidade apresentavam no contexto da evolução política da actual União Europeia é, por isso, insistir em não querer resolver, de facto!, o problema.
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afinal, a questão que se coloca é a de saber se esta espécie de "manta de retalhos" criada para ocultar a verdadeira dimensão do imenso buraco da crise é ou não reflexo de uma gravissima regressão política ou, apenas!, o testemunho da vitória do movimento de capitais contra o bem-comum!

04 fevereiro 2012

Padre pedófilo é castigado "com uma vida de oração"

Mas ter "uma vida de oração" não é já a vida dele"? Ou não devia ser? Mas teve tempo para abusar duns jovens o que está provado. Devia pura e simplesmente ser excomungado e afastado da Igreja.
"Harris foi pároco da Igreja de St. Charles Borromeo, no Harlem, e um dos organizadores da grande missa que o papa Bento 16 celebrou em 2008 nos Estados Unidos, no estádio dos Yankees. Na época, já havia rumores sobre a pedofilia de padre.
A igreja só afastou Harris de sua paróquia quando a investigação da Promotoria e o depoimento de vítimas começaram a vazar na imprensa. Alguns relatos davam conta de que ele, entre outras coisas, gostava de acariciar meninos na faixa de 10 anos que estudavam na Faculdade Cathedral, em Manhattan, da Igreja.

28 janeiro 2012

Os suspeitos do costume

A companhia aérea Spanair, na eminência de falência, cancela voos e deixa mais de 22 mil passageiros em terra.
Que alívio, a falência de uma companhia é um facto normal e, consequentemente, normalmente aceite numa economia de mercado.
Dizem até, que é parte de um contínuo processo de renovação que é benéfico para economia e, mais uma vez, consequentemente, sobretudo para os "mais necessitados".
Este caso pode ser assim ser interpretado como um bom exemplo de "destruição criativa" de que todos lucrarão.
E assim, por uma vez, ninguém se pode queixar dos sindicatos.