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20 fevereiro 2012

Mas que raio fizeram os gregos por nós?

CHANCELER MERKEL (irritada): Os malditos gregos tiram-nos o dinheiro todo, os bastardos. Trabalham pouco e levam-nos o dinheiro que tanto nos custou a ganhar, a nós, aos nossos pais e aos pais dos nossos pais… 
WOLFGANG SCHÄUBLE: E aos pais dos pais dos nossos pais. 
CHANCELER MERKEL: Sim.
WOLFGANG SCHÄUBLE: E aos pais dos pais dos pais dos nossos pais.
CHANCELER MERKEL: Sim, Wolfgang, não aprofundemos mais a questão. Mas o que é que eles nos deram até hoje?
PHILIP RÖSLER: o Teatro?
CHANCELER MERKEL: O quê? 
PHILIP RÖSLER: o Teatro… Ésquilo, Sófocles, Aristófanes…
CHANCELER MERKEL: Oh! Sim, pois. Eles deram-nos isso, é verdade.
HANS – PETER FRIEDRICH: E a Filosofia, com Sócrates, Platão e os outros todos…
URSULA VON DER LEYEN: Sim, a Filosofia, lembras-te como pensávamos antes da Filosofia? CHANCELER MERKEL (condescendente): Sim, pronto, o Teatro e a Filosofia foram duas coisas que os gregos nos deram.
ILSE AIGNER: E a Oratória.
CHANCELER MERKEL: Bem, sim, obviamente a oratória, quer dizer, nem era preciso dizer, certo? Mas, para além do Teatro, a Filosofia e a Oratória…
ANNETE SCHAVAN: A Ciência, com Arquimedes, Aristóteles…
DANIEL BAHR: A Medicina, lembras-te de Hipócrates? 
MINISTROS EM CORO: Pois, pois, isso…
ANNETE SCHAVAN: Heródoto e a História
MINISTROS EM CORO: Oh, sim…
CHANCELER MERKEL (a ficar impaciente): Sim, pronto, ok, é justo.
THOMAS DE MAIZINE: E estratégia militar.
KRISTINE SCHRÖDER: Introduziram as vogais no alfabeto.
MINISTROS EM CORO: Oh, sim, isso foi importante.
DIRK NIEBEL: Sim, isso seria algo de que sentiríamos realmente falta!
NORBERT RÖTGEN: Os Jogos Olímpicos.
PETER RAMSAUER: Pitágoras.
RONALD POFALLA: Arte. 
SABINE LEUTHEUSSER-SCHNARRENBERGER: Organização social.
THOMAS DE MAIZENE: Ajudaram-nos depois daquela chatice da segunda guerra.
CHANCELER MERKEL (fora de si): Sim, pronto, ok, mas para além do Teatro, a Filosofia, a Oratória, a Ciência, a Medicina, a História, a estratégia militar, as vogais, os Jogos Olímpicos, a Matemática, a Arte, a organização social e aquilo da guerra, O QUE É QUE OS GREGOS NOS DERAM?
ILSE AIGNER: A Democracia.
CHANCELER MERKEL: A Democracia? Cala-te lá com essa merda!

E a Islândia?

Ter-se-á afundado? Que espécie de filtro é este que impede a chegada e divulgação de notícias da Atlântida?, perdão, da Islândia? Quem o fomenta? Quem o sustenta? Anyone? Anyone? Reykjavík, This Is Houston, We Have A Problem!

19 fevereiro 2012

Tentaram-me com a lisonja...

“Tentaram-me com a lisonja, que não suporto, e ameaçaram-me com o ostracismo, que não temo”.
Pedro Mexia.

Em casa manda ela - e nela mando eu

"A mulher perdeu muito do valor que tinha. Tem muito valor num sentido mas noutro… Um país depende muito, muito das mães, pois é ela que forma os filhos. Não há melhor educadora que a mãe”
"O trabalho da mulher a tempo completo, creio que não é útil ao país. Trabalhar em casa sim, mas que tenham de trabalhar de manhã até à noite, creio que para um país é negativo. A melhor formadora é a mãe, e se a mãe não tem tempo para respirar como vai ter tempo para formar”
Convém não olhar para estas declarações como se de arqueologia se tratasse. Um homem da envergadura deste Cardeal sabe muito bem o que diz. Estamos a viver um tempo de grandes alterações e de retrocesso do modelo social construído ao longo do últimos cinquenta anos.

17 fevereiro 2012

O fariseu

"Considero importante que crianças, jovens, pais e professores venham para a rua defender a sua escola. É um sinal de vitalidade da nossa sociedade civil".
Cavaco Silva, 17.Jan.2011

Na semelhança é que está a diferença

Christian Wulff prevaricou – influenciou o favorecimento de um amigo – antes de ser presidente e, portanto, fora do exercício da sua função. Mas constatou-se que tinha prevaricado. Logo, constatou-se que tem carácter de quem é capaz de prevaricar. Consequência: a natural, normal e elementar. Não tem carácter para servir, não serve.
(. . .)
Em Portugal, dizemos meia dúzia de palavras e cada uma delas vale por mil imagens: Cavaco, BPN, Dias Loureiro, Cavaco, Urbanização da Coelha, Passos, Fomentinvest, Ângelo Correia, Cavaco, Banco BIC, Mira Amaral, Cavaco… Bastam nomes próprios, afinal. Mais palavras para quê?
Já viram a diferença? As condutas que na Alemanha levam um presidente a demitir-se são muito semelhantes às que em Portugal levam um presidente a ser eleito.

Contrariar a resistência

Hoje e contrariamente ao habitual, enrolei-me nuns trajes de velha, agarrei um pau e juntei-me ao desfile de carnaval dos meus alunos e da minha escola. Este ano quisemos avivar a tradição do entrudo e reduzir os gastos. Os alunos, que no início resistiram à ideia preferindo encarnar as personagens dos fatos que abundam nas lojas dos donos da EDP, deixaram-se convencer na sua maioria e lá iam com as roupas velhas que, ora lhes mudavam o género, ora os transformavam em figuras de outros tempos. Claro que não podia ficar de fora e apesar de não ser muito adepta deste festejo, acabei por me divertir, contagiada pelos acessórios e pela empatia das crianças. Também eu contrariei a minha resistência e por momentos esqueci-me da desgraçada vida do meu país e gozei um pouco. Este esforço valeu a pena!

Desgraça

15 fevereiro 2012

Eu vivi nesse país e não gostei (por Isabel do Carmo)

"O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa."
(. . .)
Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal

Pinto Monteiro, Beirão, Provedor do Povo...

No meio da selva ou, se preferirem!, da floresta legislativa portuguesa onde há sempre caminhos que contornam a realidade, em nome de um relativismo absoluto permitido pelo quase indefinido número de recursos de que as decisões são objecto e por essa espécie de instrumento protector do indefensável que é a prescrição de crimes em casos de "colarinho branco" e afins, é reconfortante ouvir Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República. Afirmando que o exercício do cargo é efectivamente um "acto solitário", disso não nos restam dúvidas se pensarmos que foi o próprio quem assumiu que, em Portugal, o segredo de justiça é uma fraude. Sendo incontornável que, apesar do muito que está por fazer, foi sob o seu mandato que mais casos de corrupção foram julgados (banqueiros, bancários, políticos, dirigentes desportivos, autarcas e por aí adiante), Pinto Monteiro foi hoje igual a si próprio: um homem de corpo inteiro, íntegro, democrata, verdadeiro e capaz de assumir as insuficiências do sistema judicial português e as deficiências do seu aparelho legislativo (relembrem-se as afirmações e decisões do PGR em casos como o das escutas ilegais e o da violência nas escolas) .

13 fevereiro 2012

Já não há Paciência: Domingos abandona Sporting e é substituído por Sá Pinto

Com tanto clube, mas com tanto clube, raios partam, mas é que há mesmo tanto clube...
 . . . . Hoje: Sporting: Sai Domingos, entra Sá Pinto
 . . . . Ontem: Godinho Lopes mantém confiança em Domingos.
Eu até diria "haja Paciência", não se tratasse isso de uma impossibilidade.
.
[post com destaque na página principal do SAPO]

12 fevereiro 2012

Bi-tate

1) Estava eu curiosa para saber os números, os oito e oitenta que costumam dizer dos participantes nas manifestações. Cedo foi publicado o oitenta (trezentos mil) mas, até agora, quanto ao oito nem um pio. Não tenho uma interpretação benévola da omissão. Parece-me que, como é jogo para não correr de feição, não se vai a jogo. Como fazia o gordinho dono da bola quando amuava porque não lha passavam, agarram-se à bola e ficam em casa. É que só se compete com quem se reconhece como igual e o pessoal deste governo é pessoal de superior casta regeneradora, uns predestinados que não se vão pôr a medir forças com o comum dos mortais, muito menos daqueles mortais mesmo comuns, que vão para a rua desfilar todos juntos. A competição é uma força demasiado socializadora para esta gente, porque para competir precisa-se dos demais, ninguém compete sozinho. Esta é gente não competitiva, que o que quer é deixar de competir quanto antes e, por isso, procura a todo o custo subjugar rapidamente tudo e todos que não sejam iguais a eles próprios, nem que tenha de lhes chamar piegas e de lhes por macaquinhos no sotão por não serem perfeitos, perfeitos e viveram melhor do que os avós que dividiam uma sardinha, quando havia...

 2) Pelos vistos é piegas quem não é todo modernaço e fura-vidas, quem não é avesso a celebrações configuradas pela cultura, quem não fala sete línguas e não anda a aprender mandarim, quem já teve dores de cabeça e dúvidas regulares, muito mais quem perturba a sua elegante eficácia com filhos com sarampo ou varicela. Se a palavra piegas é o menos, podendo só revelar um léxico pobre ou um paternalismo didáctico dispensável, preocupante mesmo é ele acreditar no seu modo prafrentex e achar que qualquer comportamento que aí não se enquadre só pode ser o resultado de uma mândria pessoal cuidadosamente preparada, muito estimada e estrategicamente usada por cada um. Haja resistência para pensamento tão raso, que mais parece uma avioneta desgovernada a ver se acerta numa pista improvisada para entender a pluralidade de condições da vida de cada um.

10 fevereiro 2012

Agora

Não me revolto. Não me queixo. Não me vitimizo. Apenas tenho que seguir em frente. Agarrar as coisas tal como elas nos acontecem. E quando as coisas acontecem de forma vertiginosa e irreversível o conformismo é apenas aparente. Ou parece ser. Pois não me conformo em me conformar. Focalizo energias. Racionalizo emoções. Sigo um objetivo. De uma forma simples. Tão simples. Corajosa, por isso. Acho eu. O contrário é deixar que a derrota tome conta de nós. É perder a dignidade. A doença nunca será mais forte. Mesmo que nos derrote.
Tu dormes e eu trabalho. Aqui. Sempre junto. Ao teu lado. Na cama. Dou-te o calor. Do frio que eu não tenho. Do frio que tu sentes, sempre.
A maré está meio vazia, ou meio cheia, não sei. Os cabeços de areia espreguiçam-se ao sol. Um sol frio na rua mas quente do lado de dentro do janelão fechado com vistas desde a curva dos arrozais até à foz do meu Mondego).
E abafo-te as dores. Estou onde tiver que estar. Sorte a minha, afinal, ter-te sempre junto a mim. Vais estar sempre junto a mim, onde queres que estejas. Dorme. Eu tomo conta de Ti.

08 fevereiro 2012

Tribunal de Mação: Laborinho Lúcio - Paula Teixeira da Cruz

A placa reflecte o lugar lá fora, prestes a ver encerrada a sua Casa Grande, inaugurada em 1994. A Justiça, essa, buscar-se-á alhures ou na ponta de uma faca. Entretanto, assomam-se-me umas dúvidas. Será que a senhora ministra vai aparecer na sessão de encerramento? E que bandeira cobrirá a placa comemorativa? Que cor tem o fim?

07 fevereiro 2012

...de brandos costumes

Ainda se lembram da sentida declaração de pobreza do presidente Aníbal? Escrever hoje sobre isso quase se assemelha a fazer arqueologia ou exegese bíblica. Se a “espuma dos dias” de Boris Vian fosse um país, era Portugal, onde a memória não dura um bater de asas e o Q.I. dos naturais fica em suspenso no domingo-de-colocar-a-cruzinha-depois-da-missa. Ainda assim, chegou para meia-dúzia de entendedores, levados pelo impulso vai-não-vai da “tesão do mijo”, se apressar a hipotecar-lhe a carreira política. Assim, sem fazer por menos. Caramba, o homem vai a caminho dos 73 e já leva na testa um post-it amarelo a anunciar o has-been. Daqui para a frente, pouco mais que sofá, fatia de bolo-rei e chinelos ao xadrez em frente à Júlia Pinheiro, como bom e vigilante senador da nação. Como se ser desbocado tivesse implicações no que quer que seja. Só uma brisa que passa, a lusa indignação é coisa de dias e de usar no café para fazer peito aos amigos. Passa com uma boa noite de sono.

28 janeiro 2012

Os suspeitos do costume

A companhia aérea Spanair, na eminência de falência, cancela voos e deixa mais de 22 mil passageiros em terra.
Que alívio, a falência de uma companhia é um facto normal e, consequentemente, normalmente aceite numa economia de mercado.
Dizem até, que é parte de um contínuo processo de renovação que é benéfico para economia e, mais uma vez, consequentemente, sobretudo para os "mais necessitados".
Este caso pode ser assim ser interpretado como um bom exemplo de "destruição criativa" de que todos lucrarão.
E assim, por uma vez, ninguém se pode queixar dos sindicatos.

26 janeiro 2012

O fim do feriado do 5 de Outubro é a cara chapada deste governo

Ou não fosse a República e os valores que a erguem, sustentam e representam (e vice-versa) a cara chapada de tudo aquilo a que este governo quer pôr fim. O mesmo que dizer que os ideais Republicanos não se coadunam, porque o atrapalham, com o caminho escolhido por estes arremedos de tiranetes, vozes de vários donos (aqui foi a igreja a apontar o trilho).
Tudo visto, acho bem que este governo acabe com este feriado. Fica-lhe, a ignomínia, como marca identitária e simbólica do que representaram neste tempo.
Quando, em breve, outros voltarem a dar a este dia a natural carga distintiva de dignidade em forma de feriado saberemos que a cidadania se reergue e a democracia retoma o seu caminho.
Ficam os sinais, portanto. Um e outro.

24 janeiro 2012

O futuro há nove anos

«Para onde caminhamos, volto a perguntar? Talvez para uma crise geral do capitalismo especulativo dominante, pior do que a de 1929, que era de natureza bem diferente, uma vez que a globalização económica em que nos instalámos perdeu a sua indispensável dimensão ética e abandonou quaisquer preocupações sociais e ecológicas. Ora sem elas as pessoas ficam à deriva, sem horizontes de esperança e lançam-se no desespero ou na revolta cega»
Mário Soares, 17 de Fevereiro de 2003, in prefácio a "Memória Viva - Mário Soares"

23 janeiro 2012

E hoje? "todos pressentem"?

«Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social»,.
Antero de Quental

22 janeiro 2012

O que fazer da Constituição

(. . .)
A Democracia, que para nós é um pressuposto de grau semelhante ao oxigénio atmosférico, é, para as ditas lideranças politicamente entronadas, um termo que no dicionário se tornou ultrapassado pela realidade, por incomodamente ineficiente aos dogmas dos manuais de Friedman, Gaspar, Merkel e quejandos - e os 'quejandos' são, no caso, apenas e simplesmente os donos do mundo.
O que emerge é, afinal, uma questão de conceitos. Do conceito de regime, antes de mais e acima de tudo. Uma constituição é, não mais mas também não menos, que a definição do regime. A actual maioria de Governo em Portugal está a mudar o regime. Tem de mudar a Constituição.
Pior, ou mais preocupante ainda, é constatarmos que alguns começam já a pensar (e preparar) que talvez nem seja preciso mudar a Constituição. Basta fazer dela letra morta.