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24 fevereiro 2012

Uma simples mas capital pergunta

Ai o défice na Saúde, ai o défice na Educação, ai o défice na Previdência!

Quando a receita arrecadada pelo Estado e retirada do esforço dos contribuintes não serve para suportar um défice - que é desejável e existe pela natureza das coisas e do próprio Estado - com a Justiça, a Educação, a Saúde e a Previdência, então
para que serve o Estado?

Desgraçadamente, há hoje uma resposta:
Teremos, encapotada no que se chama de Estado, uma máquina burocrática com o único objectivo e resultado de defender a eficiência dos ganhos dos poderosos, à custa da agressão sistemática e cega dos pobres e da classe média.

23 fevereiro 2012

Ironia que foi

O que me tem assustado, dia a dia e cada vez mais, é a "barricada" com que os banqueiros trancam o dinheiro à economia real. O país parece estar a fechar para balanço. Um balanço que os financeiros acautelam desde há muitos meses... mansa e cinicamente.
No trabalho quotidiano com as famílias e as empresas, temo cada vez mais por um desenlace que não vai ser risonho. A vida está a parar, na produção que já se não faz, nos lares que adormecem pela manhã no pesadelo dessa sinistra 'moda' que é a insolvência das famílias.
Já me arrepio quando me lembro da ironia com que há umas semanas advertia que "um dia o povo vai-lhes às ventas".
Ironia?

17 fevereiro 2012

O fariseu

"Considero importante que crianças, jovens, pais e professores venham para a rua defender a sua escola. É um sinal de vitalidade da nossa sociedade civil".
Cavaco Silva, 17.Jan.2011

Na semelhança é que está a diferença

Christian Wulff prevaricou – influenciou o favorecimento de um amigo – antes de ser presidente e, portanto, fora do exercício da sua função. Mas constatou-se que tinha prevaricado. Logo, constatou-se que tem carácter de quem é capaz de prevaricar. Consequência: a natural, normal e elementar. Não tem carácter para servir, não serve.
(. . .)
Em Portugal, dizemos meia dúzia de palavras e cada uma delas vale por mil imagens: Cavaco, BPN, Dias Loureiro, Cavaco, Urbanização da Coelha, Passos, Fomentinvest, Ângelo Correia, Cavaco, Banco BIC, Mira Amaral, Cavaco… Bastam nomes próprios, afinal. Mais palavras para quê?
Já viram a diferença? As condutas que na Alemanha levam um presidente a demitir-se são muito semelhantes às que em Portugal levam um presidente a ser eleito.

13 fevereiro 2012

Atenas: um sério aviso

Nas reportagens das televisões internacionais feitas na rua, uma frase a predominar: "NÃO QUEREMOS OS EMPRÉSTIMOS DELES!"
Os povos não são estúpidos. Da compreensão das coisas até perderem o medo, vai um passo: Quem já nada tem, nada tem a perder.

08 fevereiro 2012

Riso de palhaço (e a casa a arder)

(no dia em que o farsola virou macho diante do sofrimento do trabalho escravo que vive acima das possibilidades, sublimando a lamúria do miserável que não ganha para as despesas).
Há dias assim. Um homem, no ponto mais alto da cidade, abre a janela e lembra-se do que isto foi e vê o que isto é. E dá-lhe vontade de chorar. E depois, caprichosa Natureza e misterioso Mundo, passa o dia a rir - da  miséria que (não) passa.

27 janeiro 2012

Fotobiografia do viver acima das possibilidades #5

 Foto de António Supico

Os símbolos codiciosamente perseguidos: abaixo a Independência, que morra a República!

O PSD já há muito se assumiu - e com este governo decidiu afirmá-lo em toda a plenitude e demonstrá-lo 'para além da troika' - como o centro institucional da gestão de interesses de uma classe sequiosa de domínio da população e da riqueza nacionais pelo império do dinheiro e da consertação de influências plutocratas tenticulares. Nessa sanha, se em algo é coerente o patronato de Relvas e do láparo secretário deste teddy-boy com aspiração a coquette novo-rico - se em algo tem sido coerente é na cegueira de ódio contra os valores que a civilização europeia erigiu como humanamente sagrados e que os portugueses restauraram em 25 de Abril de 1974.
Tão antigo como a vilania dos escroques em corpo de homens é o brocardo "se queres ver o vilão, mete-lhe a vara na mão".
Com o poder, cada um livra-se do que lhe é mais incómodo. Estes, ignorando (néscios pategos que são) que a História relega os mesquinhos ao desprezo, mais dia menos dia - não tardaram em abominar os ícones da independência nacional e da República. Condiz.

24 janeiro 2012

Fotobiografia do viver acima das possibilidades

Foto de António Supico / da colecção "Gentes da Beira"
Exposição no Parlamento Europeu
Bruxelas, 26 a 30 de Março / Luxemburgo, 1 a 5 de Abril

22 janeiro 2012

O que fazer da Constituição

(. . .)
A Democracia, que para nós é um pressuposto de grau semelhante ao oxigénio atmosférico, é, para as ditas lideranças politicamente entronadas, um termo que no dicionário se tornou ultrapassado pela realidade, por incomodamente ineficiente aos dogmas dos manuais de Friedman, Gaspar, Merkel e quejandos - e os 'quejandos' são, no caso, apenas e simplesmente os donos do mundo.
O que emerge é, afinal, uma questão de conceitos. Do conceito de regime, antes de mais e acima de tudo. Uma constituição é, não mais mas também não menos, que a definição do regime. A actual maioria de Governo em Portugal está a mudar o regime. Tem de mudar a Constituição.
Pior, ou mais preocupante ainda, é constatarmos que alguns começam já a pensar (e preparar) que talvez nem seja preciso mudar a Constituição. Basta fazer dela letra morta.

Fotobiografia do viver acima das possibilidades #3

Foto de António Supico / da colecção "Gentes da Beira"
Exposição no Parlamento Europeu
Bruxelas, 26 a 30 de Março / Luxemburgo, 1 a 5 de Abril

19 janeiro 2012

Fotobiografia do viver acima das possibilidades #2

Foto de António Supico / da colecção "Gentes da Beira"
Exposição no Parlamento Europeu
Bruxelas, 26 a 30 de Março / Luxemburgo, 1 a 5 de Abril

18 janeiro 2012

Fotobiografia do viver acima das possibilidades #1

Foto de António Supico / Colecção "Gentes da Beira"
Exposição no Parlamento Europeu
Bruxelas, 26 a 30 de Março / Luxemburgo, 1 a 5 de Abril

11 janeiro 2012

Beira - o interior de uma pátria pobre

xx
Neste deserto houve gente. E riqueza.
Neste deserto nasceu água. Quase toda a água do país que foi sempre longínquo. A água que fez o longe ser menos longe - para o país longínquo vir matar a sede. E voltar a ser longínquo.
Neste deserto houve gente. Quase toda a gente que construíu o país longínquo. A gente que o país longínquo veio buscar - para construir mais longínquo o país sempre longínquo.
Houve riqueza. Quase toda a riqueza que o país longínquo veio buscar. Na água e no vento e na gente.
O país longínquo somou para si a água. Multiplicou para si a riqueza. Nunca dividiu - e o resto deu gente.
Neste deserto ficou gente. O resto da divisão que o país longínquo nunca fez.

O fotógrafo nasceu em pátria pobre - e o professor emigrou para o desterro da capital. Os olhos do fotógrafo e o coração do professor quase morreram, na árida bruma do que a sós sentiram, no postiço frio que nem viram, mas nas saudades da riqueza da sua pátria pobre. E as mãos de coração vazio e olhos cheios puseram os pés de regresso. Para o mestre desemigrar e o artista voltar a nascer. Para prestar tributo ao solo que deu todas as somas e todas as multiplicações. Para ser prova real da subtracção que deu erro - e encontrar o resto zero da divisão que nunca houve. Para ensinar, pela escrita da sua película, que nesta terra de deserto está a pátria da riqueza. E para que conste. Que nesta terra há gente.
Foto de António Supico

09 janeiro 2012

Deliciosa e sinistra arte - 009.com

Só quero ajudar, a sério! Reconheço o vosso esforço, o défice é que é um mau.

Leio no DN que «O desvio do défice nominal deste ano para os 5,4% está justificado - como avançou o DN ontem - em factos identificados no documento: o pagamento de cerca de 1500 milhões de euros a hospitais fora do perímetro orçamental, para pagamento de dívidas atrasadas - que tem impacto de 0,9% nas contas públicas. Mas também o assumir de encargos com as novas pensões da banca (integradas para salvar o défice de 2011), na ordem de 478 milhões de euros.»
Ora, tendo em conta que "o assumir de encargos com as novas pensões da banca" está a dar cabo das contas do Raspar (como raio ninguém se lembrou disto dos encargos, caramba?), que tal desintegrar as ditas, devolvendo-as à procedência, e voltar a integrá-las só no último dia de 2012? É uma proposta pateta, economicamente absurda? Exacto!, daí não destoar das que já foram promovidas a medidas concretas.